Ter ou não ter filhos, eis a questão!

A polêmica do texto do @piangers me fez refletir um bocado sobre esse tema: ter ou não ter filhos.

Para começo de conversa, penso que nem sempre essa é uma decisão consciente, pensada, sonhada, planejada, esmiuçada. Dai porque, muitas vezes, não há tempo nem espaço para reflexões do tipo: será que quero filh@s? Será que estou preparad@ para esse passo? Quais mudanças de vida implica ter filh@? Quero essas mudanças?

A vida vem e te atropela. Ela pode seguir um rumo não necessariamente pensado e controlado. Digo por mim mesma, que tive uma gravidez gemelar não planejada apesar dos métodos contraceptivos.

Ok, esse é o ideal, planejar e se preparar para ter filhos? Sim! Mas convenhamos que nem sempre o ideal é o real.

Mas ultrapassado esse ponto, os filhos vieram e agora somos pais/mães.

Ai também há um quê de mistério que torna tudo pouco teorizável e palpável. Porque você não sabe quem seus filhos serão; você sequer sabe quem você será após ter filhos. É uma mudança de paradigma e de vida tão radical que só quem está naquela pele sabe as dores e as delícias do processo. E cada um tem o seu processo. Cada um o vive de uma maneira, cada um escreve a sua história, sem certo e errado, apenas do jeito que é para cada um…

De fato, está em nossas mãos o tipo de pai/mãe que seremos. Os filhos são um resultado direto das nossas escolhas, valores, compreensões, atitudes, comportamentos…

Mas acontece que nem todos estamos no mesmo patamar de evolução mental, intelectual, espiritual, emocional… não dá para exigir o mesmo de todo mundo; não dá para traçar uma linha do que é aceitável ou não na maternidade ou paternidade do outro. Até porque a própria experiência real na maternagem mostra, de cara, que a única verdade absoluta é que não há verdades absolutas na criação de filhos. Não há fórmula mágica e única que fornece a melhor receita de criação de filhos, colega. Fazemos todos conforme as nossas possibilidades, capacidades e limites. E somos seres limitados e em crescimento por essência. Ninguém está pronto e acabado. Estamos todos em processo, em evolução, a caminho…

Além disso, essa onda de “maternidade real” é coisa de agora viu… romantizar maternidade sempre foi o negócio de muita gente, as vezes com boas intenções. Ainda se fala pouco sobre a dificuldade, realidade e dureza envolvidas no ser mãe. No ser mãe em uma sociedade patriarcal. Ser mãe em um mercado de trabalho implacável. Ser mãe e mulher em uma realidade que enaltece homens e tolera pais ausentes. De ser mãe dentro de estruturas organizacionais que falam muito e nada fazem para valorizar a maternidade na prática do dia a dia.

No meio de tudo isso, o que sobraria como diferencial unânime na jornada de ser pai e mãe?

Para mim é, sobretudo, o nível de consciência e presença que cada um tem no seu percurso. A diferença não está na quantidade de tempo que passa com os filhos, se vai nas reuniões da escola, se precisa trabalhar 12h por dia, se fez escolhas profissionais que te ausentam de casa, se vai para academia, se deixa o filho com babá, se coloca o filho em escola integral…

A maior diferença está na qualidade do tempo e na intensidade que você dá a ele, seja ele qual for. O segredo é o quanto você se envolve quando consegue se envolver, o que você faz com (o pouco ou muito) tempo que tem ao lado das crianças, o quanto de presença verdadeira você oferece aos seus filhos, o que você transmite para eles no tempo em que está com eles… não interessa tanto se você passa o dia trabalhando, mas se, nos 15 minutos que encontra as crianças antes de elas dormirem você faz esse tempo valer a pena e realmente se entrega; se no final de semana, único tempo que consegue estar disponível para os filhos, você os prioriza de alguma maneira; se você divide com as crianças seus sentimentos, sua vontade, sua humanidade.

As vezes a escolha de trabalhar menos, reduzir despesas, estar mais presente, estar mais disponível, participar mais, não é possível. Para muitas pessoas, que vivem no limite da existência, esse é um luxo nada palpável.

Agora, se você vive conforme a sua verdade e a sua consciência, colocando seu coração e sua essência nas escolhas da sua maternidade ou paternidade, descanse que sua colheita será farta e seu fruto será doce. E isso basta.

Precisamos de menos dedos apontados e mais, muito mais, braços estendidos…

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2 comentários sobre “Ter ou não ter filhos, eis a questão!

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