Filho dormindo sozinho e a noite toda: queremos!

Fazer Isabela e Laura dormir sempre foi um desafio. As duas são bem diferentes nesse aspecto, tanto na rotina para dormir como no padrão de sono.

Uma constante sempre foi a minha ansiedade com relação a esse momento. A hora da soneca e, sobretudo, o momento de dormir a noite me causavam muita inquietação.

Quando as meninas ainda eram bebês, as muitas influências dos ciclos e fases de desenvolvimento não nos deixavam ter qualquer rotina. Cada dia era de um jeito e normalmente nem elas nem nós dormíamos muito bem. Já contei da nossa saga aqui.

Apesar de lermos sobre mil e um métodos para facilitar e auxiliar no momento do sono das crianças, nessa fase de bebê, até uns dois anos, basicamente, não conseguíamos aplicar com consistência nenhum deles. O cansaço crônico não nos deixava instalar um processo racional nessa hora; a coisa acontecia conforme o dia permitia e a gente conseguia. Não dava tempo de dar banhos relaxantes, fazer massagens com óleos vegetais, colocar mantras ou aromatizadores calmantes: o negócio se resumia a reduzir a luz e o barulho do ambiente e cantar umas músicas de ninar. Pronto! E podia durar um bom tempo até as duas pegarem realmente no sono, especialmente a noite, claro!

Apesar de querer muito tornar menos custosa essa hora para ter mais tempo de descanso para mim, forçá-las a dormir sozinhas ou deixá-las chorar eventualmente nunca foi uma opção. Era algo que parecia humanamente errado, apesar das muitas vozes com suposta autoridade recomendando fortemente fazê-lo. Não era algo que tranquilizava o meu coração, nem mesmo diante da perspectiva futura de maior facilidade nessa hora. Parecia um preço caro demais.

Por muito tempo, me questionei se estava criando pequenas tiranas do sono. Se estava gerando nas meninas alguma espécie de dependência cíclica na hora de dormir da qual nunca mais iríamos, nem eu, nem elas, nos libertar. Se estaria alimentando um padrão de sono autodestrutivo que terminaria por me tirar toda e qualquer tranquilidade na hora de dormir para todo o sempre. Se por ser uma frouxa, de coração mole, ao não deixar Isabela e Laura sozinhas no berço ou chorando um pouco para mostrar que deveriam se virar sem mim naquela hora, pagaria o alto preço de nunca mais ter um sono minimamente decente e contínuo.

(Eu sou boa em ter pensamentos catastróficos. Infelizmente. E no quesito sono, por muito tempo, o nosso foi uma verdadeira catástrofe mesmo.)

Foi aos poucos que as coisas foram melhorando e ficando mais fáceis, apesar da nossa falta de método. Apesar do nosso jeito aparentemente caótico, mas que, no fundo, fazia sentido dentro do nosso sistema.

Sempre fizemos as meninas dormirem com a gente por perto, seja dando colo, cantando, fazendo carinho, cafuné ou apenas estando ali, presentes. É para ser um momento gostoso. Mas tem dias que pode ser desgastante. Houve dias em que eu queria estar em qualquer lugar menos ali. Houve dias em que eu quis sair correndo. Houve dias em que eu sai correndo.dormir a noite toda 3

No fundo, a independência que queremos que a criança desenvolva na hora do sono também depende do seu nível de desenvolvimento físico e neurológico, que só vem com… o tempo. A minha pressa, a sua pressa, o nosso cansaço, simplesmente não mudam o fato de que a criança não está fisicamente pronta para essa conquista. Além disso, há o jeito e as particularidades de cada criança.

Não há regra. Não há a forma perfeita de fazer as crianças dormirem sozinhas. A idade ideal em que deve dormir a noite toda. O método infalível de ensinar a ter autonomia no sono.

Há a necessidade e o tempo de cada criança, bem como a forma possível de cada família para lidar com os dois.

Posso dizer que hoje, aos quatro anos de Isabela e Laura, experimentamos uma melhor qualidade no sono. As duas dormem com mais facilidade quando chega a hora. Nós ficamos mais tranquilos e seguros na hora de colocá-las para dormir. Hoje em dia, dormimos muitas noites quase inteiras, com pouca interrupção (quase porque as meninas ainda acordam, seja para ir ao banheiro, seja para ir para a nossa cama, seja para dar um alô noturno).

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Isabela e Laura dormem cada uma na sua caminha, na soneca da tarde ou no sono da noite. Ainda temos que estar por perto, até elas dormirem. Temos que cantar umas musiquinhas, fazer carinho e ficar presentes para que consigam pegar no sono. Tem dias em que o processo é rápido. Tem dias que demora uma eternidade (quando minha cabeça está em outro lugar, nas muitas tarefas ainda pendentes do dia, demora bem mais).

Vim falar tudo isso aqui apenas para reforçar (para mim e para você) que esse dia chegará. O dia em que as crianças serão independentes também para dormir chegará. Mesmo para quem, como eu, não segue regras ou métodos mirabolantes que existem por ai.

Ele chegará simplesmente porque não conseguimos frear o tempo, ele, o principal fator de desenvolvimento e conquista de autonomia pelas crianças. Portanto, respiremos fundo, mantenhamos a calma e tentemos aproveitar os momentos de hoje que o dia de amanhã levará, deixando algumas saudades e trazendo muitas novidades!

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