Adaptação na Escolinha: nossa experiência

A adaptação das crianças (e da família) à nova escolinha é um momento delicado e sensível. Envolve muitas variáveis, diferentes realidades, distintas dinâmicas familiares. Não tem regra, não há técnicas infalíveis, não existe fórmula. Cada um terá sua experiência pessoal e intransferível nessa fase.

O que não muda é a certa dose de ansiedade e de expectativa (as vezes de sofrimento também) que acompanha o momento.

As crianças sentem a mudança e demonstram capacidades emocionais distintas para lidar com ela, a depender da idade e da maturidade.  Apesar de serem os adultos da relação, pais e mães sentem igualmente!

É delicado o processo (interno e externo) de expor os filhos às circunstâncias do mundo sabendo de antemão que não estaremos com eles todo o tempo, não teremos controle (as vezes sequer ciência) dos acontecimentos, nem seremos nós a administrar as suas conseqüências imediatas. Se algum pai/mãe nutria alguma sensação de controle da vida dos filhos, nesse momento tudo se esvai.

Não, não existe esse controle. Na verdade, ele nunca existiu. É tudo ilusão!

É inevitável o receio, o medo, a insegurança e certa dose de sofrimento. Dói ver laços tão íntimos com esses serezinhos que tornamos o centro de nossa vida se desfazerem e tomarem nova forma assim sob nossos olhos. É um momento de amadurecimento geral!

Aqui, nós sentimos tudo isso e outras coisas mais.

No caso da Isabela e da Laura, que foram para a escolinha com 3 anos completos, acredito que algumas dificuldades do caminho ficaram para trás pelo fato de elas já estarem mais crescidas, falantes, desfraldadas e com a alimentação bem estabelecida. Alguns medos diminuem, mas outros, claro, aparecem.

Não tivemos grandes crises e dramas na adaptação das meninas na nova escola, o que me surpreendeu muito positivamente, diante dos muitos relatos difíceis e doloridos que já ouvi sobre o assunto.

Na verdade, a adaptação das meninas fluiu muito bem e aconteceu de modo rápido.

Acompanhamos as duas por dois dias na escola e depois disso, já passamos a deixá-las sozinhas no horário normal!

Adaptacao na escola3

No primeiro dia, ficamos com Isabela e Laura na escola, acompanhando a ambientação das duas, guardando certa distância e evitando ficar muito em seu campo de visão.

Laura chegou tranquila e assim ficou durante todo o dia. Conversou, se apresentou, pendurou sua mochilinha e logo foi mexer nos brinquedos e interagir com as crianças. Parecia que sempre esteve ali, eu que não sabia. rs

Isabela chegou desconfiada, recorrendo a mim ou ao pai sempre que alguém falava com ela, com receio de explorar o espaço. Passados alguns minutos, ela se soltou e começou a brincar e interagir também.

Na hora do lanche meu coração apertou um pouco. Isabela e Laura sempre ficaram em casa e, na hora das refeições, sempre tiveram nossa “ajudinha” com algumas garfadas e colheradas na boca para terminar o prato. Claro que não há como ter essa assistência individual a cada uma delas na escolinha, nem é esse o objetivo lá.

As educadoras colocaram a comidinha na mesa e as crianças iam se servindo, na quantidade e na variedade que queriam, com supervisão, claro. As meninas ficaram ali, paradas, olhando, sem muita atitude. Pouco depois, Isabela entendeu o recado e foi atrás da sua frutinha. Laura continuou olhando e precisou de uma ajudinha da cuidadora.

Confesso que foi grande a vontade era ir lá, sentar do lado, picar a fruta, colocar no prato e ir ajudando a comer. Este é certamente um ponto em que as meninas experimentarão muitas mudanças; torço para que ganhem autonomia e segurança, sobretudo Srta. Laura, zero curiosa com comidas de qualquer tipo.

No dia seguinte, as meninas voltaram tranquilas para a escolinha. Passamos a tarde lá, mas elas quase não solicitaram nossa atenção.

Nos demais dias, já nos programamos para deixá-las e buscá-las no horário normal, sempre com a garantia da coordenadora de que entraria em contato caso alguma das duas mostrasse necessidade da nossa presença.

Para não dizer que não tivemos momentos tensos, passada exatamente uma semana da ótima adaptação das meninas, Laura começou a mostrar certa resistência para ir a aulinha. Começou a dizer que não queria ir e, ao chegar lá, dizia que não queria ficar. Não me deixou ir embora uma tarde e ameaçava o maior choro quando eu fazia qualquer menção de me afastar para algum lugar.

Uma semana depois disso, Isabela teve uma dor de garganta que a deixou de molho em casa. Quando se recuperou e retornou para a escola, demonstrou certa resistência para ficar lá sozinha.

Isso se repetiu alguns dias com as duas. Não foi nada terrível, mas o suficiente para partir o coração. Ver o filho manifestando essa insegurança e insatisfação traz a vontade de desistir de tudo e voltar com eles para casa.

Era visível, porém, que se tratava de parte do processo e que eventos do gênero são bastante corriqueiros entre crianças em adaptação em um novo espaço. Quando cai a ficha de que ela passará a ir todos os dias à escola, quando a novidade já não é mais tão nova, pode surgir certa resistência à mudança e uma tendência de querer voltar ao estado anterior já conhecido (ou seja, voltar para casa e para a família).

Com carinho, compreensão e paciência, isso passa!

No caso da Laura, a dificuldade maior era a despedida de casa e dos pais na hora de chegar na escolinha. Passado esse primeiro momento, ela tinha um ótimo dia, interagia super bem, participava das atividades e ficava bastante tranqüila. Foi questão de tempo e algumas boas conversas ela se adaptar integralmente.

Isabela chegou mais tímida, ambientou-se perfeitamente e não demonstrou dificuldades com a nova rotina. Ter ficado em casa depois de uns dias doentes trouxe alguma resistência para ficar na escola, mas tudo bem passageiro.

Apesar disso, não posso dizer que estamos todos adaptados. Essa nova fase representa mudanças para todos: alterou o horário de almoço em casa, a rotina das empregadas, programações pessoais, horários de trabalho, horários de refeições e vários outros detalhes que surgem no dia a dia.

É uma nova realidade para toda a família.

Sem dúvida, não apenas a criança precisa de tempo e respeito para a adaptação, mas a família toda!

 

 

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