Rotina com Gêmeos – Parte I

Essa é uma das perguntas que mais recebo: “como é a rotina com gêmeos?”

Por muito tempo, minha resposta foi direta e reta: “não tem rotina”.

Realmente, nos primeiros meses, não havia rotina em casa no que se referia à Isabela e Laura.

As coisas aconteciam a toque de caixa e eu vivia para apagar incêndios.

Não havia hora certa para dormir e para acordar.

O padrão de sono das duas sempre foi diferente, desde o tempo de duração das sonecas, à forma de fazer dormir e o tempo acordada.

As mamadas eram em horários e tempos distintos, mas igualmente demoradas.

Talvez as duas gastassem a mesma quantidade de fraldas ao longo de um dia. Talvez…

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Até tentei estabelecer horário para banhos e passeios, mas os primeiros aconteciam na hora possível (normalmente no início da noite, quando não havia algum cocô bomba no caminho) e estes, no dia e quando eu tinha alguma sobra de energia para além das minhas necessidades vitais (confesso que eu vivia no limite da exaustão nos primeiros meses).

Nesse início, por absoluta impossibilidade física e também por razões de o dia ter apenas 24 horas, eu não consegui instituir algumas rotinas invejáveis de um mundo distante de banhos de balde calmantes, massagem relaxante ou shantala, momentos estimulantes no tapetinho de atividades, banhos de sol na melhor hora do relógio, músicas alegres e felizes para animar a tarde…

Eu ficava satisfeita em sobreviver ao final do dia com as necessidades básicas minhas e das bebês atendidas (mais as delas do que as minhas, muitas vezes).

Talvez essa seja a realidade em muitas casas com recém nascido, não necessariamente gêmeos, sobretudo no caso de mães de primeira viagem, como eu.

Não há rotina. E nem tudo são flores. Simples assim…

Vivemos um minuto de cada vez (porque um dia é longo demais e pode requerer altas acrobacias em se tratando de recém nascidos).

Por muito tempo, eu não consegui coordenar os horários das meninas.

Elas iam ao sabor do vento, cada uma no seu próprio ritmo (eu as acompanhava, obviamente).

Quando elas estavam próximas de completar seis meses, a coisa começou a melhorar.

As duas passaram a dormir, acordar e mamar em horários próximos, o que me permitia ter alguma programação do meu dia.

Depois da introdução alimentar, a rotina se estabeleceu um pouco melhor.IMG_2573

Foi possível delimitar os horários aproximados das refeições e das sonecas; o dia passou a fluir com certa lógica e organização.

Claro que isso nunca foi britânico: havia quebras de planos e de rotina com uma freqüência maior do que eu desejava. Acontecia de uma dormir mais que a outra e atrasar o almoço; de as duas demorarem a dormir e atrasar o lanche que se acavalava com o jantar e atrapalhava o banho e a rotina noturna. E por ai vai…

Talvez a palavra caos defina bem alguns momentos.

Mas não só no caos vive uma casa com múltiplos.

O passar do tempo traz certa ordem e calma.

Quando as meninas completaram um ano, a rotina já estava perfeitamente estabelecida.

As duas acordavam pela manhã cedo (em horários diferentes, claro, mas bem próximos; até porque a bagunça de uma acaba acordando a dorminhoca). Depois de mamar, as duas brincavam um pouquinho em casa. Algumas horinhas depois, lanchavam e desciam para brincar no parquinho; na volSocializando desde a barriga3ta, já tiravam uma soneca que terminava no horário do almoço.

A hora do almoço foi uma incógnita por certo tempo: cada dia era diferente do outro (isso, com o tempo, também se ajustou). Depois do almoço, Isabela e Laura brincavam até a hora do lanche da tarde e, depois do lanche, desciam novamente para um passeio ou parquinho. Voltavam para casa dormindo e acordavam perto do horário do jantar.

Depois do jantar, brincavam mais um bocado em casa e começávamos a rotina noturna de banho, historinha, música e mama, até o horário em que caiam no sono.

Esse sono à noite sempre foi deveras instável.

As meninas não tinham horário certo para dormir, apesar dos nossos esforços. Laura normalmente dormia mais cedo, enquanto Isabela resistia mais e acabava dormindo mais tarde. As duas acordavam bastante durante a noite, cerca de 4 ou até 6 vezes cada uma a depender do dia.

Até perto de um ano e meio, as duas mamavam a noite quando acordavam, o que tornava as madrugadas um tanto trabalhosas e longas.

A partir dessa idade, decidimos fazer o desmame noturno como uma tentativa de melhorar o sono das duas e reduzir as acordadas à noite, como contamos nos posts sobre rotinas de sono e o desmame noturno. Esses esforços trouxeram melhora no sono das meninas e diminuíram consideravelmente o número e a duração das acordadas na madrugada…

… Cenas dos próximos capítulos em construção… Aguarde!

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4 comentários sobre “Rotina com Gêmeos – Parte I

  1. Meu casal de gêmeos completaram 7 meses agora, e a única coisa que consigo fazer quando não estou atendendo as necessidades deles é chorar, de cansaço, de desespero, de frustração, de culpa, não consegui até hoje colocar uma rotina e parece que a cada mês fica pior, cada um mama em um horário diferente, a introdução alimentar e diferente pra cada um, pq cada um tem seu ritmo, eles gritam muito a noite pq não querem dormir, já tentei banho, massagem, músicas, fazer o mesmo ritual todo dia, deixar chorar e nada funciona, não dormem durante o dia o máximo é cochilar por uns 20 minutos, e me sinto muito pior quando escuto e leio quantas mães de gêmeos conseguem colocar uma rotina e quantas se sentem realizadas, eu só sinto cansaço, desespero, e desânimo

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nossa, senti daqui o seu cansaço! Sinta meu abraço e minha solidariedade. Eu entendo absolutamente tudo o que vc descreveu.
      Já estive nesse lugar! Já senti isso aí.
      Senti frustração por não conseguir colocar a rotina “ideal”, por não conseguir organização de horários, por não ter sucesso na introdução alimentar de primeira, por (até hoje) não dormir à noite inteira, por estar cansada demais e por achar que estava sendo uma mãe de menos.
      Mas sabe a verdade nisso tudo?! Você é a mãe que seus bebês precisam. Vc está sendo o melhor q pode ser. Vc está fazendo o seu possível. E o seu possível é o q os seus bebês precisam. Eles não precisam da rotina do vizinho e dos horários britânicos da filha da amiga da amiga.
      Eles precisam de vc, da casa q eles escolheram, da família que os acolheu e que é seu referencial de carinho, colo, amor e conexão.
      Evite comparações. Comparar na maternidade é sofrer! Quase sempre, invariavelmente…
      você está vivendo um momento desafiador. Seus bebês são pequenos. Estão vivendo muitas transformações. A fase da introdução alimentar muda todos os padrões, de sono inclusive.
      Lembro q minhas filhas pareciam outros bebês nessa fase.
      Mas olha, isso vai melhorando. Por mais lento q possa parecer p vc, as coisas vão melhorando.
      Pensa como era complicado ali naquele início, de bbs de 1 mês. Como era desgastante, como sugava física e mentalmente.
      Ainda é uma canseira, tenho certeza, mas vcs já deram alguns passos, já passaram algumas fases, algumas dificuldades ficaram p trás. Sei q surgiram outras, novos desafios, novos cansaços, novas pressões.
      Mas esses vão passar tb! Confia! Entrega. Segue processo. Vencendo um dia de cada vez. Sem grandes expectativas.
      Pesa ainda! Eu sei. Tente reservar um tempo p vc. Q sejam 10 minutos para respirar e se desconectar da demanda constante das crianças.
      Pode fazer bem e te permitir retornar mais energizada e disposta.
      Peça ajuda! Não queira dar conta de tudo sozinha! Maternidade não é isso, não é vencer todas as batalhas sozinha! Divida as tarefas se possível.
      E lembre que vc e seus bebes ainda vivem uma fusão muito grande. Eles choram e gritam a sua angústia, a sua tristeza, a sua exaustão. As vezes vc sequer se da o direito de chorar. Eles choram por vc. Tenha certeza.
      Portanto, quanto mais vc se cuidar e se reequilibrar, mais provável q consiga lidar melhor c essa rotina pesada e melhor as crianças vão responder. Veja o q te faz bem, tente arrumar um tempinho p isso. Vc merece. Seus filhos tb! Conte c a gente viu … 😘

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