“Mães, esqueçam os comerciais de TV!”

Como a criação de filhos não é uma arte apenas das mães, hoje trazemos a visão de um pai  e amigo muito especial sobre a maternidade, sobretudo aquela do pós-parto, momento tão delicado para as mulheres e também para a família como um todo.

O recado dele é direto, sensível, profundo e verdadeiro. Vale a pena ouvirmos:

“Hoje, (pai de um menino de 7 anos e agora de uma menina com cerca de um mês de vida), enquanto estava vendo televisão (coisa que pouco faço, principalmente depois da invenção de Netflix e afins) deparei-me com a propaganda de uma famosa marca de fraldas.

A propaganda tem o design sempre igual: um bebê recém nascido, branquinho, de olhos claros, sem nada de brotoejas nem secreções nos olhos ou narizes; os ambientes são sempre lindos e maravilhosos (sem um algodão sujo sequer espalhado pelas mesas!); a mãe sempre toda sorridente (infelizmente sem mostrar a figura do pai). Linda! Magra! Cabelos sedosos e bem cuidados! Unhas feitas. OLHEIRA…nem pensar! Barriga de tanquinho (isso com bebês que tinham no máximo 15 dias de vida). Dando de mamar de uma forma que parecia estar indo para uma passarela desfilar.

Na primeira vez em que paramos para prestar atenção em uma propaganda assim, estávamos eu e a patroa na cama. Acredito que nossa bebê tinha no máximo 7 ou 8 dias de vida. Eu, com minha calça de moletom. Sem escovar os dentes. Barba totalmente por fazer. Era praticamente um zumbi.

Ela, minha patroa, já tinha desistido de andar vestida pela casa há dias. Desfilava como uma índia. Bicos dos peitos totalmente rachados. Muitas dores. E até alguns dias de febre. Cabelos armados e olhos como os do zorro. Ainda não tínhamos tirado os pontos da cesárea. Assim como eu, duvido que tinha escovado os dentes. Unhas já todas descascadas. Inchada, com gases e muito mal estar! Por conta de uma infeliz mastite, teria que ficar 48 horas sem amamentar. Resultado: peitos muuuuito inchados e com febre.

Era por volta de 8h da manhã e estávamos quase na segunda noite virados.

A bebê acordou ainda no colo dela, chorando bastante. Devia estar com muita fome. Ainda restava um pouco do leite “ordenhado” por uma bombinha que havíamos alugado.

Naquele momento do comercial, no auge dos hormônios que já estavam supitando, a esposa, exausta, cai em prantos. O cansaço natural da situação foi contaminado por um sentimento que o comercial da tevê fez despertar: a CULPA.

Não bastasse ser mãe e passar por tantas situações agressivas que envolviam violentamente seu corpo físico, ainda tinha que aguentar toda a pressão psicológica de ainda ter que passar por tudo isso com diversos padrões e exigências criados pela “não tão moderna” sociedade atual.

E é este o ponto emque gostaria de chegar.

A pressão que as mães tanto sofrem por não terem uma maternidade linda e maravilhosa como a da propaganda das fraldas descartáveis.

Por não conseguirem seguir aquelas “dez dicas infalíveis para que seu bebê seja o mais bem cuidado do mundo!”

Por terem dificuldades na amamentação e pensarem que podem não conseguir diante de tantas dores nos seios.

Por terem que ir a uma fila de supermercado e verem os olhos de reprovação de outras mulheres (que muitas vezes também são mães) simplesmente por estarem alimentando o bebê com uma mamadeira.

Sim, a vida de mãe está longe de ser aquele conto de fadas todo pregado pelas empresas vendedoras de produtos voltados aos recém nascidos.

E aí vem o meu apelo:

Mães: permitam-se! Permita-se chorar. Permita-se xingar. SIM! Em voz alta! Permita-se querer fugir de toda essa bagunça por alguns minutos. Isso não te faz uma péssima mãe. Isso te faz um ser humano! Que é capaz de amar seu bebê ao infinito, mas que tem limitações físicas e emocionais para conseguir se dedicar ainda mais ao seu bebê. 

Não dê ouvidos aos extremismos!

Hoje existe teoria pronta para tudo. E você pode procurar provas para acreditar no que bem quiser. 

Mesmo com tanta informação sendo empurrada a você, há algo que nada (nem ninguém) consegue substituir: seu INSTINTO MATERNO!

SÓ VOCÊ sabe (sentir) o que é melhor para você e seu bebê!

Desde já, digo uma coisa certa: você é demais! Você é linda da forma que está! Na fase em que está! Linda inchada. Linda chorando. Linda descabelada. 

Esqueça os comerciais com vidas de mentirinha.

Esqueça fórmulas prontas. 

Filhos são algo completamente inverso de serem uma matéria exata.

Ler artigos e livros para se aperfeiçoar na arte como mãe é sempre bom.

Mas nada, NADA substitui o seu carinho pelo seu bebê. Seja descabelada. Seja cheia de remelas!

Lembre-se: de nada adianta forçar situações que você não consegue sustentar e terminar tratando mal o bebê por exaustão….. Coloque na balança e veja se realmente vale a pena se matar por algo do tipo. Para defender uma ideologia, ideias impostas muitas vezes por pessoas que não possuem nem um pedacinho dessa coisinha linda que está ali do seu lado, esperando pelo seu abraço e seu cheiro. 

Especialmente a vocês mães em dobro! Heroínas! Parabéns!

E fica o apelo: SENHORES VENDEDORES, PAREM COM ESSE DESSERVIÇO ÀS MÃES! TENTEM MOSTRAR A VIDA COMO ELA É! PAREM DE CONTRIBUIR PARA QUE AS MÃES SE SINTAM CULPAS APENAS POR SEREM: MÃES!”

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Gustavo, pai de dois, marido da Pamella, engenheiro, ciclista por necessidade, fotógrafo por paixão e escritor quando dá tempo.

 

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