Cama (semi) compartilhada

Quando Isabela e Laura começaram a fazer incursões noturnas pela nossa cama, eu não tinha refletido muito sobre o assunto, nem sabia das polêmicas envolvendo a cama compartilhada (na verdade, nem sabia da existência do conceito formal de “cama compartilhada”).

Quando as duas eram pequeninhas, eu não as colocava para dormir conosco porque temia pela sua segurança: tinha receio de se sufocarem ou de nos movimentarmos a noite e machucá-las. Elas sempre dormiam no moisés (que, nos primeiros dois meses, ficou ao lado da nossa cama) ou no próprio berço.

Conforme as duas foram crescendo, passei a me aventurar um pouco mais e comecei a amamentá-las deitada (a emoção no caso era a possibilidade de dar de mamar e descansar ao mesmo tempo, o que não tinha preço naquele momento!). Muitas vezes (para não dizer quase todas), eu dormia. Passei a sentir que dormir com as meninas ao lado era possível e não representava risco.

Elas já dormiam na sua própria cama, mas quando começavam a acordar muito durante a noite ou resistir para dormir, eu colocava ao nosso lado na cama e elas dormiam bem, muitas vezes bem melhor do que se estivessem sozinhas no berço.

Obviamente é uma de cada vez. Nunca conseguimos alocar as duas ao mesmo tempo na nossa cama sem que alguém tivesse que ser despejado no meio da noite por pura falta de espaço físico suficiente.

Considerando que cama compartilhada de verdade é aquela estabelecida e institucionalizada na casa, sendo a cama dos pais o lugar oficial para o bebê dormir, posso dizer que nossa experiência é de uma cama semicompartilhada.

cama-semicompartilhada2

Quase todas as noites temos companhia na cama; mas isso é extraoficial porque o lugar oficial do sono das meninas é o berço.

No início, dormir com elas era até bem gostosinho. Aquela bebezinha ali do lado. Acordar no susto e ela estar ali, toda estirada, no maior sono, super satisfeita.

Conforme Isabela e Laura foram crescendo, dormir na sua companhia passou a ser uma espécie de luta greco-romana: chute na barriga, joelhada no peito, mãozada na cara, braçada na testa, dedo no olho… As duas se movimentam demais dormindo. Quando digo demais, é demais mesmo! Se fosse possível filmar, elas certamente dariam umas 5 voltas de 360º na cama…. Como há obstáculos ao lado (vulgo pai e mãe), estes que sofrem as conseqüências….

Passou a não ser uma experiência tão agradável assim. Hoje em dia, levamos as meninas para nossa cama quando estritamente necessário e, na primeira oportunidade, fazemos a transferência para o berço (as vezes, confesso, essa missão falha… e temos que voltar. rs).

Dormir com as meninas não é igual a dormir sozinha. Dormir com companhia, de adulto ou criança, altera o sono da gente. Em alguns casos mais, em outros menos, mas sempre há alguma mudanças.

Não posso dizer que durmo bem quando Isabela ou Laura estão ao lado. Não é verdade. Não é um sono tranqüilo; parece que ele fica mais leve e qualquer coisa me desperta.

Esse é mais um motivo porque não quero que esse se torne um hábito. Acredito também que, no futuro, pode ser complicado fazer a criança voltar ao seu próprio quarto e a sua própria cama para dormir.

Para nós, esse é um recurso extremo, de emergência, uma solução para dormir um pouco mais, porque, apesar de eu não dormir tão bem na companhia das meninas, elas dormem bem até demais na nossa cama (o que pode parecer deveras tentador as vezes!).

Confesso que o meu sonho de consumo no momento está longe de ser uma cama maior para cabermos todos juntos; na verdade, meu sonho dourado é que as meninas durmam uma noite inteira de sono no berço delas. Isso sim seria a coisa mais linda dos últimos tempos…

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