Infância de verdade ainda existe?

Nessa era tão tecnológica e digital, tenho percebido que o verdadeiro luxo é a criança ter a chance de experimentar uma infância à moda antiga.

O acesso aos recursos tecnológicos atualmente é tão natural, que não há nada de especial em assistir televisão, ver infinitos casais de desenho, jogar videogame, divertir-se com jogos e aplicativos no tablet e smartphone ou navegar pelos portais com conteúdo infantil no computador.

As crianças de hoje nascem, realmente, sabendo usar equipamentos eletrônicos melhor do que adultos. Fato estranho e inegável. Talvez uma evolução genética já introduza conhecimentos básicos de software, hardware, armazenamento na nuvem e sistemas de rede como itens básicos de sobrevivência na modernidade.infancia-de-verdade

Por isso, na minha humilde opinião, o luxo infantil da vida moderna parece ser a criança ter a chance de brincar com terra, tomar banho de mangueira, subir em árvore, andar descalço na grama, ter contato com a natureza, ver bichinhos de verdade (de preferência no seu habitat natural, não apenas em telas ou em gaiolas de zoológico).

Essas eram coisas corriqueiras para nós, que fomos crianças nas décadas passadas.

As crianças de hoje têm pouco contato com a natureza e seus elementos mais básicos. Pode ser falta por de acesso a locais adequados, falta de estímulo e vontade dos pais, falta de tempo, alergias, medos, frescuras e afins…

Só que criança é e sempre será criança, seja no século passado, seja no próximo século, e essa condição necessariamente inclui em seu repertório gostar de água, areia, terra, plantas, bichinhos e outros encantos da natureza.

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Para mim, a fórmula da verdadeira infância se liga exatamente a essas experiências meio “primitivas”. Uma coisa leva à outra e quando menos se espera a criança está correndo por ai, escalando tudo, inventando brincadeiras, descobrindo o mundo e chamando a atenção para coisas que passam desapercebidas aos olhos adultos. Até nós mesmos ganhamos com a experiência de ver o mundo com novo olhar!

Procuro estimular o contato da Isabela e da Laura com a natureza.

Desde que se entendem por gente, elas olham a lua e as estrelas pela janela de casa. Quando é lua cheia, as vezes são elas mesmas que param do lado da janela e falam: “Oh, lua!”, sem ninguém mostrar.

O primeiro bichinho com que se apaixonaram foi o “au au”. Esses são fáceis de encontrar por ai, nos passeios pela rua. O segundo bichinho talvez tenha sido o pombo, que é deveras nojento, mas está em todos os cantos também. Começaram a ter um medinho de formiga, mas foi passageiro (logo formiga, aquele ser minúsculo. Vai entender!).

As duas adoram água! Pra tomar banho, pra se molhar a toa, para ver, para mexer, para jogar no chão… É difícil contê-las quando veem uma poça d´água e mais ainda uma piscina.

Sempre que podem elas dão uns passeios pela grama, mexem nas plantinhas, catam folhinhas, pedrinhas e gravetos por ai.

Areia e terra, então, parecem ter imã. As duas vão direto e literalmente se jogam sem medo!

Outro dia fomos à fazenda de uma amiga. Foi o primeiro contato mais próximos das meninas com bichos maiores como vaca, boi, cavalo, bezerro, potro.

Não preciso nem dizer que elas ficaram encantadas e hipnotizadas. Isabela se soltou mais desde o primeiro momento, toda hora pedia para ver o “boi” e o “pocotó”. Laura começou com medo,um pouco assustada e, no final, já estava ambientada, mas não teve vontade de entrar no curral como Isabela. Andaram pelas trilhas sem cansar, mesmo com aquelas perninhas curtas. Queriam se jogar no lago, escalar as porteiras e descer correndo as ribanceiras.

Foi tão, mas tão legal, vê-la encantadas com tudo aquilo que minha convicção da importância de estimular o contato e as experiências das duas com a natureza apenas se  reforçou.

Pode ser trabalhoso. Requer tempo. Cansa. Suja. Pode até machucar. Só que infância de verdade é feita justamente dessas cicatrizes e dessas lembranças…

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