Vida social pós-filhos: isso existe?

Sempre fui uma pessoa hiper social, daquela que tem os finais de semana cheio de eventos e compromissos. Eu dava um jeito de dar conta de tudo e gostava desse movimento…

Nem preciso dizer que, depois que Isabela e Laura nasceram, minha vida social sofreu um baque, para não dizer uma anulação completa.

No início da maternidade, eu apenas me aventurava a sair de casa com as meninas e quando estritamente necessário: para ir ao pediatra, dar vacina, ir à casa da minha mãe, dar uma volta de carrinho próximo de casa. Nem na casa de outros parentes eu ia. Tinha pânico de passar perrengue com as meninas na rua ou na casa de alguém.

Confesso que eu quase enlouqueci nessa época. Quase…

Conforme a rotina se consolidou e eu ganhei mais maturidade e experiência na função mãe de gêmeas, comecei a me aventurar em novas experiências. Fiz algumas passagens rápidas em festas durante o dia, passei a visitar alguns parentes e até dei uma volta no shopping. Tudo ainda com as meninas a tira colo.

Demorou um bocado para eu conseguir sair de casa sem elas. Quando isso aconteceu, parecia que eu estava deixando para trás um rim, meu fígado, um braço, uma perna e sentiria tanta falta que não teria outra solução a não ser voltar correndo.

A primeira saída sem as meninas foi bem esquisita.Vida social2

Confesso que eu não sabia mais nem como me arrumar: não sabia o que vestir, que acessório usar, o que fazer com o cabelo, como me maquiar, que sapato calçar, que bolsa escolher. Eu parecia ter sofrido uma lavagem cerebral. Não era eu. Era outra pessoa….

Eu chorei! Achei meio triste aquele estado. Perguntava-me em que momento eu tinha me perdido tanto de mim mesma; pra onde eu fui e se um dia iria voltar…

Nas primeiras saídas, eu confesso que fui por pressões externas. Se dependesse estritamente da minha vontade, eu continuaria entre as quatro paredes do meu doce e amado lar com as meninas a tira colo.

Aos poucos, a ideia de sair de casa sozinha ficou menos torturante. Passei a conseguir me divertir e até mesmo conversar sobre assuntos não ligados à maternidade. Claro que as pessoas sempre perguntavam sobre Isabela e Laura… era questão de tempo elas surgirem como assunto principal das conversas.

O passar do tempo foi tornando as coisas mais fluidas e naturais.Vida social

Seguiram-se aniversários, casamentos, cinemas, jantares, encontros com amigos. Tudo em doses homeopáticas, sem excessos, para não dar pane no sistema. rs

Acredito que foi apenas quando minha licença maternidade terminou e retornei ao trabalho que eu consegui voltar ao mundo de uma maneira mais individual. Daí em diante eu passei a sair sozinha de casa para compromissos pessoais, familiares ou profissionais sem tanto peso na consciência, com a ideia de que aquilo era parte da vida, que as meninas ficariam bem e que aquele tempo e distância nos tornariam melhores (obviamente, não sem antes passar pela fase do sofrimento, do conflito, da dor, do choro, da negação…).

Hoje em dia a dificuldade em retomar uma vida social mais ativa não é mais minha resistência e dificuldade em ficar longe das crias. Sinto que ter uma folguinha da função mãe é, definitivamente, bom e necessário. Precisamos existir além dos filhos, precisamos nos reconectar com o mundo adulto, dar espaço para nossos anseios e interesses individuais, realizar projetos pessoais, ter tempo como mulher, esposa, filha, irmã, amiga, não apenas como mãe… Depois da maternidade, não deixamos de ser tudo o mais que sempre fomos; acrescemos essa missão às várias outras que desempenhamos ao longo da vida e o segredo do sucesso é saber equacionar tantas facetas num curto dia de 24h (tenho minhas dúvidas se essa equação se resolve até hoje…).

A maior dificuldade atual é ter uma estrutura paradeixar as meninas sob cuidados de alguém de confiança no tempo longe delas. O fato de serem duas bebês acrescenta alguns desafios. Não é qualquer lugar nem qualquer alma caridosa que dá conta do rojão. É preciso uma estrutura e certo traquejo com crianças (além de fôlego, paciência, força física e de vontade). rs

Vida social1
@ab.bel

Outro problema é administrar o cansaço físico e mental, uma constante na minha atual existência. Muitas vezes a decisão entre sair para algum compromisso ou ficar em casa é literalmente vencida pelo cansaço: acabo declinando do convite para ficar em casa por falta de forças para fazer diferente.

As vezes, quando decido e consigo sair, principalmente se a saída é noturna, bate um arrependimento no dia seguinte: as meninas estão a mil e eu estou apenas querendo sobreviver àquele dia.

Definitivamente eu não sou mais aquela de antes. Os tempos são outros, o que não quer dizer que sejam ruins. São tempos novos, que trazem lições diárias de como ser e existir depois dos filhos, sem nos perder deles e de nós mesmos. O desafio está lançado…

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