Pontualidade: a distante qualidade

Tá, eu admito, sempre tive certa dificuldade com pontualidade. Eu sei que chegar na hora aos compromissos é questão de respeito ao outro e demonstração de seriedade. Sempre me esforcei para ser essa pessoa respeitadora e séria, mas, talvez pelo excesso de tarefas que eu me imponho (várias ao mesmo tempo!), pela rapidez com que o tempo passa quando se está fazendo determinadas coisas ou pela minha própria confusão ao estabelecer prioridades, há uma tendência de eu me atrasar para meus compromissos.

Eu só não tinha a menor ideia de como isso poderia piorar absurdamente depois de ter filhos.

Depois do nascimento das meninas, eu passei de minutos de atraso para horas. Uma tragédia!

pontualidade charge
Aparentemente não estou só…

No início, quando Isabela e Laura eram ainda bem novinhas e eu comecei a reunir coragem para sair com elas de casa para algum evento social, logo percebi a saga que significava sair com um recém nascido (quem dirá dois!).

Teoricamente, não deveria ser assim, afinal, é só um bebê com necessidades previsíveis: frio, calor, sono, fome, xixi, cocô. Pronto. Preparando-se para esses cenários, supostamente se está preparado para tudo; pode ir tranquilo.

Aparentemente é simples. Aparentemente…

Você arruma a bolsa do bebê com antecedência, coloca roupa para todas as estações, inclui uma quantidade de fraldas e panos que não vão se sujar nem se demorar uma semana para voltar. Pensa em todos os cenários possíveis entre a saída e o retorno para casa. Separa a roupa que vai vestir no bebê e a roupa que você mesma vai vestir. Lembra de levar uns brinquedinhos. Deixa o bebê conforto no jeito.

Ai o protagonista da história, o bebê, simplesmente resolve tirar um cochilo de três horas… uma coisa inédita. Você contava que ele acordaria na hora X e ele acorda na hora X + 2 e, obviamente, você ficou com dó de acordar e tirá-lo bruscamente de casa. Quando ele acorda, tem que dar banho, colocar a roupinha de sair, dar de mamar, trocar fralda…

Feito isso, tudo pronto! Se não fossem algumas reviravoltas na história… Quando você menos espera, recebe a visita de uma golfada digna do Exorcista que suja não só o bebê, mas você também. Vai todo mundo pro trocador. A golfada pode ser intercalada com um cocô tamanho G na fralda P que também exige uma mudança de look forçada. O curioso é isso tudo acontecer justo na hora de sair, para deixar pior o que já estava ruim…

Um parêntese (acontecer isso no caminho, dentro do carro, não melhora nada a vida!).

Pensa na quantidade de combinações que todas essas variáveis podem envolver quando se dobra a quantidade de bebês… Pensou?! Então senta e chora comigo!

Eu tive vontade de chorar algumas vezes (em algumas delas, eu de fato chorei). Principalmente quando entrava numa espiral de acontecimentos desse gênero, totalmente fora do meu controle, que dificultava tanto a minha saída de casa a ponto de me fazer desistir. Desistir de sair depois de toda uma preparação para isso é uma frustração sem tamanho.

Depois que você fica mais calejada e aprende a lidar com os imprevistos de maneira mais ágil e inteligente (porque os imprevistos continuam insistentemente acontecendo, você que aprende a se virar com eles!), as saídas de casa fluem melhor.

Aquele bebezinho cresce, outras necessidades vão surgindo, mas a dificuldade de sair de casa permanece. Aquele cochilo de horas teima em acontecer na hora errada, o cocô continua vazando na roupa recém trocada, a criança demora o dobro do tempo para terminar uma refeição, tem crise de choro quando você entra no banheiro para tomar o seu banho ou se arrumar, incorpora o furacão no filme Twister e instala o caos na casa… e muitas outras variações que me fogem agora à memória.

Vem com tudo aquela vontade de sentar e chorar.

As vezes, me pergunto se só comigo é assim. Sou sempre consolada por amigas com filhos em fases parecidas, que me ajudam a me sentir mais normal. Essas coisas não acontecem apenas lá em casa! Ufa!

Mas ainda fica uma ponta de dúvida se isso não é uma espécie de desafio avançado para me fazer evoluir em tempo recorde rumo à pontualidade britânica. Considerando meu desempenho até o momento, só tenho uma resposta: isso não está funcionando!


Fotos: Desfavor; Pipipum

 

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