E quando a mãe fica exausta?!

Algumas vezes penso que, quando eu estou em casa com as meninas, elas não funcionam direito. É um chorôrô danado, uma sequência de manha, um tal de fazer birra e se jogar no chão, de brigar por todo e qualquer brinquedo, de querer colo ao mínimo sinal de contrariedade. Afora isso, a palavra “mamãe” é repetida em um looping incessante que tende ao infinito e uma simples ida ao banheiro é gatilho para a maior crise de choro nunca antes vista.

Parece que quando Isabela e Laura estão apenas com o pai, com a babá, com a avó, com os tios, elas são muito mais simpáticas e sociáveis. Na minha companhia, elas ficam viradas do avesso.

Nesses momentos, eu me sinto exausta… e impotente.

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Tento contemporizar as crises, distrair, criar soluções rápidas para os conflitos, evitar que eles se estendam desnecessariamente. Tento estar presente, responder aos chamados, dar colo quando precisam, conversar, contar a historinha preferida 115 vezes sorrindo, inventar brincadeiras e brinquedos diferentes. Respiro fundo quando as duas resolvem querer exclusividade de colo e atenção ao mesmo tempo e me divido como dá para atendê-las.

Só que tem horas que o sistema dá pane… simplesmente trava.

@ab.bel

Minha única vontade é me trancar no quarto (normalmente é no banheiro mesmo!), tapar os ouvidos e imaginar que estou no lugar mais silencioso e desabitado do mundo, sozinha, eu comigo mesma, só com o barulho dos meus pensamentos; que eu posso ficar ali o tempo que eu precisar e só voltar quando bem entender. Se teletransporte existisse, eu iria para esse lugar imaginário algumas vezes por dia.

Essa realidade é dura. É difícil. É cansativa.

Ok, ninguém disse que seria fácil. Mas há momentos que são especialmente difíceis e, em certas horas, o nível de dificuldade aumenta e testa os limites de resistência e criatividade.

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Detesto sentir essa impotência. Detesto me sentir incapaz.

Considero-me uma pessoa forte, mas essas situações me fazem duvidar da minha capacidade. Parece se aproximar o momento em que eu simplesmente não vou dar conta e terei que jogar a toalha.

Ai eu me pergunto: “Jogar a toalha para quem?!”

“Não existe essa opção no mundo materno, queridinha. Você simplesmente tem que dar conta. Se vire. Rebole. Dê seu jeito.”

Esse é um lado pesado da maternidade. Não é bonito de ver, muito menos de viver.

Sentir essa exaustão, além de cansaço físico e mental, também traz culpa. Mães normalmente querem dar o seu melhor ao filho; trabalham com altos níveis de excelência e qualidade acionados (falo por mim, claro, mas acho que não estou sozinha nessa…).

Essa porcaria de culpa termina de formar a equação bombástica.

É uma contradição de sentimentos: você está meio fula da vida, quer sair correndo e gritando dali; só que se sentir assim faz você ficar ainda pior porque a “boa” mãe não deve ter esse tipo de sentimento com relação ao filho. É um ciclo destrutivo que nada acrescenta nem resolve. Sei disso…

Essa é a hora de dar um boot no sistema. Reiniciar forçado mesmo. Parar. Respirar. Voltar ao centro. Conectar-se consigo mesmo. Lembrar alguns conceitos básicos, mas nem sempre óbvios:

Antes de mãe, você é humana. O erro faz parte da sua trajetória. Resigne-se. Mas não se acomode. Dê o seu melhor, sem mirar a perfeição. Ela não existe. Apenas te coloca em uma busca eterna pelo inalcançável. Respeite a sua condição humana imperfeita. Aceite-a. E, sobretudo, perdoe-se. Seu perdão a si mesma é o mais importante. Apenas ele te liberta e te revigora para seguir adiante, confiante de que o caminho, mesmo torto, é o melhor a percorrer.

É normal se sentir cansada, física ou mentalmente. É comum se sentir impotente diante de certas situações. É humano ficar frente a frente com seus limites. Eles existem e aparecem vez ou outra. Mas não se engane, esses limites são maiores do que imagina; e sua capacidade de superá-los também é . Quando chegar perto de algum deles, dê um passo para trás e respire fundo. Olhar outros horizontes e respirar ar fresco ajuda bastante. Só não se demore ai, tem muita vida, novidade e beleza em forma de pessoas pequenas te esperando para acontecer…

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