Babá ou Creche?

Quando o retorno ao trabalho estava próximo, após licença maternidade, férias e todos os dias extras que consegui para adiar esse momento, veio a preocupação de quem cuidaria das meninas na minha ausência.

Resisti à ideia de colocá-las em uma creche ainda tão pequeninas. Instintivamente preferi que elas ficassem em casa: visualizar Isabela e Laura em um ambiente de creche com poucos meses de vida me deixava muito desconfortável e angustiada.

Precisava, então, de uma babá (parar de trabalhar para cuidar das duas não fazia nem faz parte da nossa realidade).

Não aprofundei muito a reflexão acerca das vantagens e desvantagens de uma ou outra escolha naquela época. Obviamente toda opção tem seus prós e seus contras.

As meninas até hoje ficam em casa com uma babá muito querida e carinhosa. Tivemos a sorte de encontrar uma pessoa competente e responsável para ficar com elas, uma pessoa com quem as meninas já se acostumaram e que conhece e executa bem a rotina das duas.

A seleção da babá é difícil, eu bem sei. É uma busca que demanda muita paciência e perseverança até encontrar alguém realmente capacitado, responsável e que se encaixe no perfil que se quer para a função.

No nosso caso, a adaptação teve seus altos e baixos; depois de um tempo, as coisas entraram nos eixos e têm fluído bem.

Gosto muito de manter as meninas no ambiente delas, na casinha delas, com seus brinquedos e seus cantinhos para tomar banho, brincar, trocar fralda, dormir ou tirar um cochilo. Gosto de definir seu cardápio diário e de saber exatamente o que comem (ou não comem!); de controlar, mesmo que à distância, a rotina das refeições, passeios e sonecas; de oferecer às duas um cuidado mais pessoal e familiar, o que passa mais segurança, para as crianças e para a mãe delas. rs Estando em casa, os avós aparecem para visitar, o pai faz companhia por mais tempo, titios e primos aparecem vez ou outra.

Como as duas estão sempre juntas, não sofrem muito com a ausência de crianças para brincar, situação que alguns filhos únicos podem passar. Nos passeios ao parquinho ou mesmo embaixo do prédio, elas sempre encontram outras crianças de idades diversas e interagem bastante também.

Em casa, há a vantagem de as meninas não estarem expostas a muitos vírus diferentes, o que faz com que fiquem menos suscetíveis a doenças do mundo infantil. Quando ficam doentinhas, são coisas leves e já temos a estrutura para cuidar delas sem mexer na rotina de ninguém.

Procuramos sempre estimulá-las de maneira criativa e divertida, alternando brinquedos, criando algumas atividades com livros, músicas e objetos diferentes. Obviamente que essa estimulação não é nada profunda nem muito menos profissional, como é nas creches, onde as crianças realmente têm um estímulo motor e intelectual direcionado.

Deixar as meninas sob o cuidado de uma babá tem também suas desvantagens, com as quais vamos aprendendo a lidar com jogo de cintura.

A pessoa contratada não fará as coisas exatamente do jeito que você quer (isso nem na creche aconteceria de todo modo). Não há como controlar tudo a todo momento; a pessoa atinge o objetivo, mas pode fazer a sua maneira. A babá acaba fazendo as adaptações dela para lidar com a rotina das meninas, o que, não mudando a essência de cuidado e educação que quero, acaba sendo tolerado.

Algumas vezes é preciso repetir instruções básicas, ensinar de novo como quer que algo seja feito, explicar o porquê de algumas condutas, advertir sobre o que não quer e não admite na criação, lidar com imprevistos… isso é cansativo e testa a paciência.

A babá, como qualquer outra pessoa, tem seus imprevistos, problemas familiares, pessoais e de saúde, então pode ter atrasos ou até deixar na mão por vezes. Nessas horas, é complicado arrumar um plano B sem ter que parar todo o resto para atender os filhos ou acionar alguém da família que esteja disponível (somos privilegiados porque, além de certa flexibilidade no trabalho, temos a família por perto, que socorre nos momentos de aperto; quem não tem essa carta na manga fica numa posição ainda mais difícil).

Essa é a parte mais chatinha a meu ver e que torna a creche algo muito tentador: a escolinha está lá, cinco dias por semana, impreterivelmente no horário acertado, o que praticamente elimina imprevistos e saias justas (exceto pelas enormes férias e feriados nos calendários de algumas delas, que normalmente não acompanham o tempo de férias de que dispõem os pais).

Os custos de manter uma babá hoje em dia são altos. Nesse quesito, a creche empata ou até mesmo supera: os custos de uma boa escolinha são salgados e, quanto menor o bebê, maior o preço.

Acho que hoje, mesmo conseguindo ver melhor esses cenários, ainda assim não faria diferente… manteria as meninas em casa pelo máximo de tempo possível.

Sinto que isso atende melhor as necessidades delas, dá segurança, colo, presença e carinho, coisas que um bebê de pouca idade precisa tanto. Essa escolha não se mostrou boa apenas para Isabela e Laura, mas também para mim: vejo que elas estão bem cuidadas com relação à higiene, alimentação, saúde e educação e isso me acalma nos momentos em que estou longe e me tranquiliza para poder desempenhar melhor outras atividades, pessoais e profissionais.

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Nossa escolha tem funcionado bem até aqui. Não posso dizer muito sobre o amanhã, porque ele pode vir com surpresas. Pretendemos esperar mais um tempo para colocar as meninas em alguma escolinha. Até lá, vamos sedimentando nossas expectativas e interesses quanto a isso para procurar uma instituição que combine com nossos valores e atenda nossas futuras necessidades. É outra busca difícil… e concorrida (as listas de espera das melhores escolas são quilométricas, mesmo quando os preços são astronômicos… um quadro meio surrealista!).

Cada família é quem sabe pesar e ponderar a infinidade de variáveis que envolve escolher entre deixar o filho aos cuidados de uma babá, colocá-lo em uma creche ou mesmo dar um tempo da vida profissional e se dedicar exclusivamente à missão mãe/pai. Se o teste de uma das opções não funcionar muito bem, há a outra e assim sucessivamente, até chegar à configuração que melhor atenda. Vamos sempre procurando a melhor solução para cada momento de vida…

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