Grávida?! De gêmeos?!

A surpresa de uma gravidez mexe com a estrutura da mulher (e do homem também, claro). E se, além de não planejada, a gravidez for de gêmeos? Pronto, ai estão ingredientes para tirar do eixo as mais sãs e equilibradas almas. Foi assim comigo (não que eu seja uma alma sã e equilibrada)!

Primeiro veio a suspeita, que eu afastei com todas as forças. Para não perder muitas noites em claro, resolvi fazer logo um exame de sangue. Qual não foi minha surpresa! O exame de sangue revelou um número astronômico e não deixou qualquer dúvida: eu estava grávida. Em seguida, veio a primeira ecografia e aquela imagem de dois sacos gestacionais que eu nunca tinha visto e nunca mais vou esquecer: eu estava muito grávida!

2 Gravida de gemeos

Como assim grávida? E de gêmeos? Nem tem gêmeos na família.

Minha sábia irmã caçula tentou esclarecer o mistério: “eu lembro quando, em uma conversa, você disse que, quando engravidasse, queria que fossem gêmeos, porque ai já eram dois bebês de uma vez e tudo ficava resolvido com uma barriga!”.

“Oi?” “Eu disse isso?” “Tá maluca!” “Quando?” “Não me lembro!” “E se eu não lembro, eu não disse.” “Agora, se, por um acaso bem remoto, eu disse algo do gênero, eu não estava bem, foi da boca pra fora. Das poucas coisas sem sentido que eu digo, Deus ouviu justo isso… tá de brincadeira?!”

Pois é. Eu devo ter dito isso e Ele me ouviu (podia ter ouvido também quando eu pedi para ganhar naquela Mega Sena da Virada!).

Ele não só ouviu, como realizou!

Eu estava grávida de gêmeos, com seis semanas de gestação. Seis semanas que eu achava que estava sozinha, mas não estava; seis semanas que meu corpo não pertencia mais apenas a mim; seis semanas em que fiz várias coisas que certamente não faria se soubesse estar grávida (coisas como quase morrer para terminar um wod no crossfit, comer porcarias de origem duvidosa, beber em horários nada católicos porque era Copa do Mundo no Brasil, ir a show de música baiana e por ai vai…).

O que eu faria a partir dali, nas dezenas de outras semanas que seguiriam, eu não fazia a menor idéia (acho que até hoje eu não faço muita idéia, mas ok! Engano bem!).

Descobri que a lista de coisas para se preparar para a gravidez e a chegada de um bebê (quem dirá de dois…) é infindável: conhecer obstetras, fazer exames, mudar totalmente o estilo e a rotina de vida, adaptar os exercícios físicos para a condição atual (grávida) e futura (parto), planejar o enxoval (e descobrir um mundo paralelo de roupas e objetos nunca antes vistos), organizar uma nova casa (porque um casal com gêmeos não cabe com dignidade em uma quitinete), aprender a aceitar ajuda (parte difícil para quem tem a linda mania da auto-suficiência), aprender a lidar com um corpo com vontade própria para mudar, crescer e sentir, administrar a enxurrada de pensamentos que acompanha a nova fase, controlar sentimentos a flor da pele (não apenas sentimentos lindos e bonitos, mas também dúvidas, insegurança, raiva, desconsolo, solidão e outros sem nome) e mais, muito mais.

O detalhe cruel é dar conta de tudo isso nos intervalos do trabalho e da vida normal que segue com a família, namorado e amigos. Humanamente impossível. Ficou tudo misturado e bagunçado e confuso. Eu precisava de um tempo. Na verdade, precisava parar o tempo para respirar e me acostumar com a gravidez, com as gêmeas, com a minha vida fora do meu controle (como se um dia já tivesse estado sob meu controle…), com os planos que não diziam mais respeito apenas a mim (e com a constante dúvida sobre a minha competência para fazer planos que não fossem apenas para mim).

2 Gravida de gemeoss

Pode-se dizer que tive um certo tempo. Foram mais vinte e sete semanas e alguns dias até o parto. Não posso dizer, porém, que foi tempo suficiente para colocar “a casa em ordem”. Ainda há muito por fazer, externa e internamente. Descobri que sempre haverá muito por fazer!

Hoje acho que o tempo da gravidez tem algo de sagrado (ainda que o nascimento seja prematuro, como no nosso caso). O tempo para gerar uma vida no útero se mistura com o tempo para se reconectar com a própria essência humana e também com o divino que há em cada um, para se aprofundar crenças e tentar voltar ao essencial, para reformular laços e vínculos, para amadurecer idéias e ideais, para conciliar e perdoar, tudo como parte do processo de se conceber e gerar uma mãe. Esse processo tem apenas começo, não tem fim; fica sempre em aberto, se renova e se ressignifica ao longo das muitas fases dessas vidas ligadas por um delicado cordão.

 

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8 comentários sobre “Grávida?! De gêmeos?!

  1. Que lindo, Pri! Apesar de não estar grávida de gêmeos (acho que não fiz esse pedido a Deus), acho que esse tempo da gravidez é realmente para a gente aprender que não temos o controle e que é preciso deixar fluir. Parabéns pelo blog! Acho que você tem muita história para compartilhar! Beijos

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  2. Pri,
    Adorei sua forma de compartilhar o turbilhão de emoções pelas quais passou! Não fui mãe de gêmeos, mas passei pela experiência da gestação por duas vezes e, lendo seu texto, me senti voltando no tempo, há mais de 14 anos, quando também fui surpreendida pela notícia de que esperava meu primeiro filho, um presente de Deus. Tenho certeza de que as mamães de gêmeos ficarão muito felizes em conhecer um pouco das experiências que viverão com seus bebês.
    Parabéns e muito sucesso!
    Bjs
    Marcela

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    1. Marcela! Fiquei muito feliz com a sua mensagem! Obrigada pela força e pela visita por aqui. Com certeza nós, mães, temos muito para dividir e mais ainda para aprender né… Beijoca

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